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Quase, não é resultado!

  • Foto do escritor: Manoel Condado Jr.
    Manoel Condado Jr.
  • há 2 dias
  • 2 min de leitura

Gosto de caminhar.



Durante as minhas caminhadas, procuro em alguns dias escutar uma boa música; em outros, um podcast; e há dias em que vou apenas com os meus pensamentos. Hoje, me indaguei sobre a palavra “quase”. Trata-se de um advérbio, que indica que algo esteve muito próximo de acontecer, mas não se concretizou por completo.


É incrível como os “quase” permeiam nossas vidas.


Alguns por questões de tempo, outros por espaço, outros por consequências — mas todos teriam mudado os nossos rumos se não fossem, justamente, o "quase".


Só hoje tomei a verdadeira consciência disso. O quase, não me passou desapercebido.


Levando em conta apenas a minha vida profissional, quase tornei-me um palhaço (na verdadeira essência da palavra), quase fui morar na França aos 20 anos, quase me tornei advogado, quase fui o agente de licenciamento de direitos autorais do grupo musical RPM no Brasil, quase não consegui explicar ao presidente da empresa, sobre a minha missão na empresa ao entrar no elevador e só ter três andares para fazer isso... (ele ia ao décimo andar e eu, ao terceiro).


Por vários “quase”, também não desisti de situações, em que me colocaram e achei que não daria conta.


Olhando para trás, percebo que se alguns desses episódios foram obra do acaso, outros foram desenhados pelo meu próprio processo de decisão — ou pela falta dele.



O "quase", muitas vezes, foi o impeditivo perfeito criado pelo medo de decidir.


É o receio do erro que nos paralisa, a busca ilusória por uma certeza, que o futuro nunca dá e diante da encruzilhada, hesitamos. O medo de escolher um caminho, nos faz estagnar no meio do cruzamento, assistindo à oportunidade passar.


O "quase" vira, então, o disfarce confortável da nossa própria omissão: não fomos rejeitados pela vida, nós apenas não escolhemos a tempo.


Na minha vida pessoal, foi a mesma coisa. Foram tantos "quase" que relatar todos tornaria a leitura monótona. A questão não é o destino. É o que você faz com o “quase” que diariamente bate à sua porta.



Você permite que ele decida por você ou toma as rédeas e estufa o peito?

Afinal, o "quase" não pode ser um porto seguro para os nossos medos.


Quase, não é resultado. É só o rio te levando para o mar — e cabe a você decidir se vai apenas flutuar ou assumir o timão.



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